POEMA DE ABERTURA

  • EIS UMA VERDADE DE PRIMEIRA INSTÂNCIA: A CRIANÇA VIVE EM ESTADO DE POESIA, O POETA VIVE EM ESTADO DE INFÂNCIA. Carlos Vazconcelos

25 de set de 2008





















INQUIETUDE


Mora no infinito
do peito
a inquietude da busca
e atravessa
e extravasa.
Não tenho bandeira.
Não dou bandeira.
Só vim aqui saudar o sol.

A vida é uma feira,
cada um procura o seu artefato.
A vida é uma segunda-feira.

De fato,
o fado de cada um
é o fardo de cada dia.

Viver? não se sabe por quê,
nem como,
mas onde existe arte feita
há o artista sob um pseudônimo.
Não me venha com
velharias.
Onde vai dar teu destino
Sem o teor da poesia?
Sem a intuição que invoca
toda teoria?
Muitas explicações,
poucas respostas,
neste mundo de mutações
e de verdades impostas.
Ainda assim,
prossigamos neste nosso
caminho ermo,
inventando máquinas fortes,
novas formas de governo...
O acaso é uma aldeia ignota
cujo caminho é sem volta...
Enquanto viver o sol
haverá vida,
haverá dúvida
enquanto houver a vida.
A humanidade caminha lento
o seu desalento...
Não me perguntes aonde vou,
não tenho sugestões a dar,
somente versos esparsos
semeados pelo espaço.

Mora no infinito
do peito
a inquietude da busca...
e extravasa.

Carlos Roberto Vazconcelos

(Do livro A Inquietude da Busca)

2 comentários:

Denis Moura disse...

Inquieto poema esta sua/nossa eterna busca em palavras.
Inevitável destino este do que logo existe porque pensa, e pensa diante do eterno desconhecido.

Parabéns pelo Blog!!!

Cleody disse...

Carlos,
Beleza de sentimentos no dom de escrevê-las na forma poética.
A essência transparece quando a busca inquietante chega ao fim.
Cleody