POEMA DE ABERTURA

  • EIS UMA VERDADE DE PRIMEIRA INSTÂNCIA: A CRIANÇA VIVE EM ESTADO DE POESIA, O POETA VIVE EM ESTADO DE INFÂNCIA. Carlos Vazconcelos

8 de fev de 2010

QUASE-ELEGIA PARA O POETA MÁRIO GOMES

por Carlos Roberto VaZconcelos



Mário, velho marinheiro,
tua nau perdida
na tempestade
e tantos versos extraviados;
tu resistindo
entre procelas
feito um camões vencendo a nado.
Mas a cidade, sem piedade,
quer te engolir:
Cuidado, Mário!
Serás poeta, santo, bandido
ou simplesmente um afogado.

Pobre fidalgo
da velha praça (teu escritório).
Quando te vejo ultrajado,
entre a bigorna e o malho,
tenho certeza que tua fúria
divide o mundo em duas raças:
os que te sabem poeta
os que te julgam espantalho

4 comentários:

Ângela Calou disse...

Carlos,obrigada pelo comentário. Li teu Mundo dos Vivos,o senhor Poeta me trouxe gentilmente um exemplar.Daqui de longe, me pergunto quem seria esse velho marinheiro,que tem mar no nome...sal e sede nos olhos quem sabe...

abraços

mariah disse...

E por falar em Mario Gomes VAZconcelos, ha tempos que preciso te contar o meu encontro com ele pela primeira vez. ja havia ouvido voce comentar sobre o mesmo mas que surpresa percebelo ao vivo e a cores ali dentro de uma livraria. pra registrar o evento comentei com a personagem do meu possivel livro ( escrevendo me curo ):
Bilola,Ontem conheci um escritor mendigo! Já ouvi muito falar nele nas rodas de literatura do sesc. Acho que só eu não o conhecia, mas ontem estava na livraria do dragão do mar, quando escutei a voz de um homem falando...falando.. Era um tipo de gente doida que na verdade é mais sarado do que os ditos sadios. Acho que estamos fazendo uma grande confusão... Os doidos são os bons e os bons são verdadeiros loucos. Ele já é idoso, tem aparência de uns 70 anos, corcunda, muito magro, vestindo uma calça de linho branca ( tão suja ) e um palitó azul marinho que esconde os mal- tratos. Sentou-se na mesa onde eu estava, para comer um pacote de biscoito de chocolate com café que a livraria oferece aos clientes. Fiquei olhando sem saber quem era aquele homem que não parava de falar sozinho. Tomava café... E repetia... Levantava e reclamava. Comecei logo a criticar pensando: Esse coitado ta doente, tucindo, fumando e ainda fica comendo essas porcarias... Até que entrou um homem e ele pegou pra cristo... Recebeu atenção e não deixou mais o homem em paz, até que o cliente saiu sem olhar nada. Sem comprar nada E eu ali, só de butuca ligada! Escondendo meu olhar pra o doido mendigo não me pertubar, Sem conseguir me concentrar na minha leitura,com aquela perturbação ao meu redor. Quando o cliente foi embora sem levar nada o tal mendigo ficou zangado e começou a chamar nome feio.chingando o homem e muito aborrecido. Aquilo tudo era muito hilário. Permaneci seria e cabisbaixa. Quando é que esse doido vai sair daqui, meu Deus!!! E não demorou ! pronto, dei graças. O funcionário veio limpar a mesa suja de biscoito que doido deixou e eu indaguei logo: deve ser freguês antigo pra voces serem tao benevolentes!!!
-É escritor. Poeta. Tem livros publicados e vive mendigando! O dono da livraria autoriza a gente dá alguns trocados pra ele todo dia e deixa que ele fique a vontade por aqui.
- como se chama?
-Mario Gomes
- háaaaaaa. Já ouvi muito falar nele nas rodas literárias.
Meu Deus! Tem os livros dele aí?
-Não. Mas tem um do Juarez Leitão que fala dele. Veja aqui! Ele mesmo ( Mario Gomes ) deixa marcado a pagina.
E olha o que encontrei Biola: “Ontem ao meio dia comi um prato de lagartas. Passei a tarde defecando borboletas.” Haaaaaaa. li sua poesia ANTROPOFAGISMO e ri tanto dentro da livraria e chorava baixinho que teve gente querendo saber do que se tratava e eu respondia que estava comendo lagartas!!! “Ri como um milhão de criança brincando na lama. Ri até a barriga doer. Meu deus como foi bom.” ( yanla Vanzan )

Saí dali com um misto de alegria, vergonha, vontade de abraça-lo e de ficar doida!

sua poesia prof. VAZ só veio dá mais sabor à ANTROPOFAGISMO do saboroso Mario Gomes que eu adoraria ter comido seus lindos olhos verdes.
parabens meu grande poeta!
sua fã:

mariah.

Dalinha Catunda disse...

Olá Carlos,
Emocionante sua poesia e a história contida nela.

Às vezes nossa lucidez e nossas amarras nos deixam de mãos atadas, quando na realidade gostaríamos de escrever e dar vida as nossas loucuras.

Um abraço,
Dalinha

Fabiana Guimarães disse...

poemas mais lindo!!!
parabens