POEMA DE ABERTURA

  • EIS UMA VERDADE DE PRIMEIRA INSTÂNCIA: A CRIANÇA VIVE EM ESTADO DE POESIA, O POETA VIVE EM ESTADO DE INFÂNCIA. Carlos Vazconcelos

8 de nov de 2009

POEMA DE BORDO


Desenho da minha filha Eloise (5 anos).

Necessito das palavras
Como âncora dessa nau
Viajei mares afora
Tanto verso tanto sal


As palavras se dissipam
São metáforas do tempo
Sou pescador de imagens
Navegando em barlavento


Necessito das palavras
Como leme dessa nau
Naveguei outras tormentas
Abismo gra(mar)tical


Palavras são balsas verdes
Que conduzem a muitos portos
Atravessam oceanos
Unem países remotos


Muito além da Taprobana
Já depois do Bojador
Toda fala se irmana
Laço, Lácio, última flor


Andar caminhos diversos
À procura de um país
Náufrago de vida e versos
Fugir para ser feliz


Fui à luta remador
Coração extraviado
Onde está escrito amor
Leia-se: desesperado


Vide bula vide verso
Nunca mais fiz um poema
Dentro da alma o universo
Dentro da vida o dilema


Carlos Vazconcelos
(do livro A Inquietude da Busca)

2 comentários:

Dalinha Catunda disse...

Olá Carlos,

No singelo desenho de sua filha, talvez você seja o sol dando vida a flor Eloise.

Seu poema em quadras é de uma beleza ímpar.

Bom saber que você está reativando o blog. Lhe encontrei através do Airton Soares.

Gosto de frequentar o povo do meu Ceará e você é um achado.

Um abraço,
Dalinha

Carlos Roberto Vazconcelos disse...

REEDITANDO MENSAGEM (do meu Amigo Amauri Didi, direto da ibiapaba)

"Caro amigo e conterrâneo Bebeto, voce carrega o espírito
e a alma do mundo da poesia.
Um grande abraço!"

Amauri Didi
Tianguá-CE